Testes Psicológicos e Signos Astrológicos

O artigo "Relações entre traços de personalidade mensurados por testes psicológicos e signos astrológicos", publicado em 2014 é o último artigo encontrado pelo Scielo que aborda o tema "astrologia".
Vale ressaltar que são poucas as pesquisas científicas sobre o tema astrologia ou astrology no Brasil, foram encontradas somente 9 no repositório Scielo. Neste artigo foi analisado somente o signo solar, deixando uma lacuna sobre um estudo mais profundo sobre astrologia e o horoscopo de nascimento, o mapa natal.

Resumo:

A partir de hipóteses pautadas em bases científicas e dados empíricos, diferentes teorias do desenvolvimento humano frequentemente apontam para alguns fatores em comum como mais importantes na história de vida das pessoas e para o desenvolvimento delas. Entre os distintos fatores, podem ser apontados, por exemplo, a importância do papel familiar, das relações interpessoais, do aparato biológico, da interpretação acerca dos eventos cotidianos, da influência dos mecanismos inconscientes, dentre outros (Cloninger, 2000; Hall, Lindzey & Campbell, 2000; Millon, Grossman & Tringone, 2010; Millon, Millon, Meagher, Grossman & Ramnath, 2004; Schultz & Schultz, 2011).

Com o intuito de entender a complexidade da emergência dos atributos que caracterizam o ser humano, persistem, na atualidade, teorias consideradas pseudocientíficas, como é o caso da astrologia. O interesse popular pela astrologia como um guia para o autoconhecimento vem crescendo desde meados da década de 1960, a despeito da pobreza de evidências empíricas para seus pressupostos. Entender o papel da astrologia na sociedade pode ser de interesse particular para psicólogos, já que esse conhecimento mostra-se como um modelo de psicologia ingênua, com toques místicos, na qual muitas pessoas acreditam (Bunchaft & Krüger, 2010; Dean & Kelly, 2003; Glick, Gottesman & Jolton, 1989; Jourard, 1978; Sugarman, Impey, Buxner & Antonellis, 2011; Turgut, 2Neste artigo foi analisado somente o signo solar, de011; Vieira, 2005). Nesse mesmo sentido, estudos demonstram que os resultados da astrologia parecem se confirmar somente em casos em que os participantes conhecem o que é esperado de acordo com seus signos, o que é conhecido como autoatribuição (Pacheco, Nagelschmidt & Rodrigues, 2007).

A astrologia pode ser entendida como uma linguagem dos princípios arquetípicos universais, ou seja, um modo de perceber forma e ordem na vida de um indivíduo e de simbolizar a unicidade de cada pessoa. O astrólogo elabora uma carta natal, que é um mapa representando o céu no dia e lugar que um indivíduo nasceu. O círculo principal da carta é dividido em doze segmentos iguais, de modo que, fora desse círculo, marcam-se os doze signos do zodíaco (Arroyo, 2010; Parker & Parker, 1971, 2009; Parker & Parker, 2001; Verdet, 2000).

Considerações finais

Esta pesquisa teve como objetivo verificar relações entre a personalidade, avaliada por um teste psicológico e os signos solares propostos pela astrologia. De maneira mais ampla, buscou-se apresentar dados que permitam a reflexão crítica sobre o conhecimento que é veiculado mais popularmente, no caso, referente à astrologia.

Pelo elevado número de participantes, era esperado encontrar resultados estatisticamente significativos, mesmo para diferença pequena de médias. Nesse sentido, embora algumas diferenças de média tenham sido significativas, pode-se perceber que, em todos os signos, houve distribuição de pessoas em níveis baixos, médios e altos do fator. Com base nos dados encontrados, conclui-se que não faz sentido pensar em traços de personalidade diferentes de acordo com o signo da pessoa, uma vez que a maioria das pessoas apresenta os traços em níveis médios. Provavelmente as diferenças estatisticamente significativas encontradas foram espúrias, uma vez que algumas corroboraram, outras rejeitaram, e outras, ainda, não foram significativas quando se esperava que fossem. Tal hipótese já foi considerada em outras publicações com a mesma temática (Austin, e cols., 2006; Ertel, 2009), mas o impacto na população geral é desconhecido.

Autor: Fabiano Koich MiguelI; Lucas de Francisco CarvalhoII
IUniversidade Estadual de Londrina, Londrina, Brasil
IIUniversidade São Francisco, Itatiba, Brasil

Artigo completo disponível no Scielo:
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-82712014000...

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