A influência Aristotélica na obra astrológica de Ptolomeu, O Tetrabiblos.

A influência Aristotélica na obra astrológica de Ptolomeu, O Tetrabiblos

Ptolomeu esclarece que a Astrologia não prevê o futuro de modo necessário, como urn destino fixo, mas apenas pela analise de tendencias. Ele se afasta de todos os astrólogos anteriores exatamente ao procurar fornecer uma visão teórica sistematica da Astrologia. Ele tenta transforma-la em uma ciência (ou melhor, em urn ramo da Filosofia, como ele próprio diz). Aqui, nota-se a mesma distinção (e valorização) estabelecida por Aristóteles, que constantemente foge ao empirismo e rebaixa as artes a urn nível muito inferior a Filosofia (ver, por exemplo, a Analítica posterior de Aristóteles) .

É verdade que o movimento dos corpos celestes e realizado eternamente de acordo com um destino divino imutável, enquanto as mudanças das coisas terrestres esta sujeita a uma sorte natural e mutável e, ao traçar suas causas primeiras ao mundo superior, elas estão governadas pelo acaso e pela sequencia natural . Alem disso, algumas coisas acontecem a humanidade através de circunstancias mais gerais e não como resultado das tendencias naturais do próprio individuo - por exemplo, quando muitos homens morrem pela guerra ou peste ou cataclismos, através de mudanças monstruosas e inescapáveis do ambiente - pois as causas menores sempre cedem a maior e mais forte. Outras ocorrências, no entanto, concordam com próprio temperamento natural do individuo através de antipatias menores e fortuitas do ambiente. (Ptolomeu, 1980, livro, cap.3, p. 1 1- 1 2, Camerarius).

Por volta do segundo século antes de cristo, os gregos democratizaram a astrologia, desenvolvendo a tradição de que os planetas influenciavam a vida de todas as pessoas. Eles acreditavam que a configuração planetária no momento do nascimento das pessoas afetava sua personalidade e seu futuro. Esta forma de astrologia, conhecida como astrologia natal, alcançou se ápice com o grande astrônomo Claudius Ptolomeu (85-165 d.C.). Seu trabalho de astrologia, Tetrabiblos, permanece como a base da astrologia ainda hoje.

No inicio do Tetrabiblos apresenta uma justificativa geral da Astrologia. Na Antiguidade, os nomes "Astrologia" e "Astronomia" eram sinônimos , como já dissemos . No entanto, Ptolomeu diferencia aquilo que chamamos normalmente de Astronomia (0 estudo dos movimentos dos astros) daquilo que chamamos de Astrologia (0 estudo das influencias dos astros nos acontecimentos terrestres):

"Existem dois métodos de predição pela Astronomia, ó Sirius, que são mais importantes e válidos. Um, que é o primeiro, tanto peIa ordem como peIa eficácia, e aqueIe peIo qual captamos os aspectos dos movimentos do Sol , Lua e estrelas uns em reIação aos outros e em reIação a Terra, conforme ocorrem no tempo. O segundo e aqueIe peIo qual, através do carater natural desses aspectos, nos investigamos as mudanças que elas trazem naquilo que cercam." (Ptolomeu, 1980, livro I, cap. l, p.l / Camerarius)

Ptolomeu considera o primeiro método (que chamamos de Astronomia) mais direto, auto-suficiente, passivel de demonstrações por utilizar uma abordagem matemática. O segundo, pelo contrario (que corresponde ao que chamamos de Astrologia), estuda as influencias celestes . Ele não é auto-suficiente (pois depende de cálculos sobre a posição dos astros, dados pelo primeiro método) , nem e tão seguro quanto o primeiro. Segundo Ptolomeu, ele utiliza um método FILOSÓFICO.

Ptolomeu - Tetrabiblos.
Leia o Artigo completo em: http://www.scielo.br/pdf/trans/v18/v18a06.pdf
Roberto de Andrade MARTINS - Grupo de História e Filosofia da Ciência, DRCC - lFOW - Unicamp - 1 3081-970 - Campinas - SP - Brasil