A história de Gêmeos - Castor e Póllux

Há uma quantidade de histórias de gêmeos, e também de jovens amantes, que podem ser apropriadamente vinculadas a gêmeos. A história de Castor e Póllux parece ser óbvia, já que esses são os irmãos gêmeos que deram o nome a constelação de Gêmeos. Um dos gêmeos é filho de um mortal o outro é filho de Zeus. Creio que só essa imagem já contem grande parte do significado de Gêmeos.

O Irmão mortal é assassinado numa batalha, e o irmão divino chora e implora a Zeus que devolva o irmão a vida. Zeus faz um acordo com eles. Não pode simplesmente devolver um homem morto a vida porque Hades reclama a alma, e uma vez que a alma vai para o mundo subterrâneo, não pode voltar. Assim, Zeus e Hades fazem um trato, pelo qual um dos gêmeos pode ficar vivo na terra e o outro precisa ficar desencarnado, em espírito. Eles nunca podem estar no mesmo lugar ao mesmo tempo. Zeus concede o beneficio da vida renovada, mas gêmeos devem ficar separados para sempre, e enquanto um existe no mundo divino, o outro precisa suportar as dificuldades da vida terrena, assim como suas alegrias. Em seguida, trocam de lugar. Alguma vezes Castor é mortal e algumas vezes Póllux é mortal. E um anseia eternamente pelo outro.

Gêmeos parece frequentemente achar a experiência da mortalidade muito sombria e depressiva. Há uma perda da fé e da luz, porque quando o irmão mortal olha para cima e se lembra do seu irmão divino no reino espiritual que ele não pode alcançar, cria-se uma sombra na sua vida. Para o irmão divino, a perda do irmão e a compaixão pelas dores e tribulações que ele vivencia na terra, igualmente causam sofrimento. Parece que em Gêmeos ha um profundo anseio pela reunião dessas duas metades. Dêem-lhes o nome que quiserem, espírito e corpo, self e ego, divino e humano. Mas o mito parece estar dizendo uma coisa ao mesmo tempo muito triste e muito reconfortante. Embora os gêmeos nunca possam estar no mesmo lugar ao mesmo tempo, são partes de um todo que nunca pode ser separado de fato.

Fonte: Jupiter e Saturno, pag.72 - Liz Greene e Sttephen Arroyo

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